segunda-feira, 23 de março de 2015

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segunda-feira, 16 de março de 2015

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segunda-feira, 9 de março de 2015

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Festival Entretodos, eleições, cultura e jornalismo... (ou simplesmente, Respeitável público...)



Por Emerson Lopes da Silva


Público. Não. Não a palavra relacionada com "a coisa pública", mas sim aquele grupo reunido para assistir um show, um filme na sala de cinema, uma peça teatral, um espetáculo de dança ou uma exposição. Há uma busca por definições sobre este conjunto efêmero de pessoas que se encontram em busca de... de diversão, de experiências, aprendizados intelectuais, estéticos ou sensoriais...


Nesta procura, o que tem sido encontrado e identificado talvez não devesse ser escrito no singular. "Públicos" seria a melhor grafia para estes CONJUNTOS HUMANOS que, ao término de cada apresentação, como num passe de mágica, deixam de existir como unidade.


Antes do início do evento de abertura da terceira edição do Festival de Curta-Metragens de Direitos Humanos Entretodos, na última segunda-feira, 13 de setembro e 2010, a sala de espera do charmoso, e pouco visitado, Cinesesc em São Paulo não estava lotada, como costuma ocorrer quando sedia eventos cinematográficos ou quando sua programação chama a atenção dos frequentadores de cinema para além das salas multiplex.


Durante o coquetel pré-abertura, alguns presentes comentavam que Ferreira Gullar estava em noite de autógrafos duas quadras acima, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista. 


Talvez o famoso poeta, que com sua perseguição implacável ao governo Lula e ao próprio presidente, poderia muito bem ser chamado de "Ferrenho Gullar", esteja com mais ibope do que o tema Direitos Humanos ou mesmo do que o cinema de curta-metragens, ou ainda do que a premiada diretora Anna Muylaert, dos graciosos longas "Durval Discos" e "É Proibido Fumar". Ou quem sabe seja apenas o efeito colateral do período que antecede as eleições...


Ainda sobre política partidária e o momento máximo da política nacional, desde o último sábado, a região da Paulista poderia ser considerada "pró Marina Silva". Um verdadeiro cinturão "verde" no centro de Sampa, embora formado por dois quilômetros de prédios cortados pelo asfalto da avenida... Descontando, é claro, o Parque Trianon. 


A possibilidade da denominação surgiu baseada no fato de que, em várias bancas de jornal da região, a versão brasileira da emblemática Rolling Stone, cuja edição de setembro oferece três capas distintas aos leitores, estava com os números que traziam o retrato da ex-ministra do Meio Ambiente, trabalhado pelo ilustrador paulistano Marcelo Calenda, esgotados. Ao mesmo tempo, sobravam capas com Dilma e com Serra, ambas com toques do mesmo artista gráfico. Atender à segmentação de público talvez seja isso...


Voltando à abertura do Festival Entretodos de Curtas sobre Direitos Humanos, fato é que, na ocasião, os presentes foram brindados com uma verdadeira aula sobre os bastidores do cinema e a importância da música para o trabalho cinematográfico. Os detalhes foram apresentados por Anna Muylaert, intercalando com criatividade suas falas com a exibição de seu divertido curta de 1996 "A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti" e com trechos de "Durval Discos".


Visivelmente emocionada, a diretora começou sua "aula" após a apresentação ao vivo de duas obras de Vila-Lobos que integraram seu premiado "É Proibido Fumar". Ambas foram tocadas com maestria ao violão por um músico cujo nome foi, infelizmente, inaudível para este que escreve.


A influência dos pesados custos de pagamento de direitos autorais para inserção de músicas em filmes, em contraposição aos valores mais acessíveis pagos para criação de temas originais foi um dos pontos abordados. A diretora falou ainda sobre aspectos mais "artísticos", por assim dizer, da relação música-obra cinematográfica. Curiosidades a respeito do processo de escolha de cada tema também foram apresentados, todos de forma simples e didática por Anna Muylaert. Quem viu, viu...


Evento que pode ser considerado como um daqueles no qual há harmonia entre público e "espetáculo", a abertura do Entretodos, com seu aspecto, premeditadamente ou não, pedagógico faz pensar sobre um tema que motiva calafrios em alguns teóricos e artistas: a formação de público. Porém, é alta a probabilidade de que, após a fala da diretora, os olhos e ouvidos dos presentes à abertura do Festival estarem mais apurados durante suas próximas visitas aos cinemas. 


Embora alguns questionem as coincidências, na edição do último sábado do indispensável suplemento Sabático do Estadão, editado pelo tarimbado Rinaldo Gama, o diretor e dramaturgo italiano Eugenio Barba define "público" como "entidade sociológica" e diz preferir fazer um teatro que dialogue com o indivíduo, ou com pouca gente, do que uma peça para mais de 200 pessoas. E, de forma genial, o criador do Odin Teaert justifica sua escolha com a singela pergunta ao repórter: "Você mandaria seu filho a uma escola com 20 ou 200 alunos na classe?" Presto!


A discussão sobre ações pedagógicas em relação à arte não é novidade. Porém, tais iniciativas andam esquecidas na contemporaneidade. Este dado aponta para a importância de um certo processo educativo, ainda que básico, sobre as características próprias das variadas formas artísticas.


Caso isso ocorresse com mais frequência, certamente algumas pessoas entenderiam porque tantas óperas são cantadas em italiano, porque não há sensação de movimento em naturezas mortas, assim como outras compreenderiam a função dos programas das peças de teatro, mesmo quando distribuídos em espetáculos baseados em clássicos da literatura.


3o Festival Entretodos de Curtas de Direitos Humanos
13 a 19 de setembro - São Paulo - SP
Confira programação:
http://www.entretodos.com.br/


*Postado de um canto qualquer da cidade de São Paulo

domingo, 12 de setembro de 2010

Em cartaz no Sesc Pinheiros, peça "Criminal" une humor inteligente e critividade cênica



Foto: Luiza Campanelli/Divulgação
De repente uma peça num sábado à noite. Os motivos? A confiança - ou aposta - num  certo "padrão Sesc São Paulo" de qualidade na programação cultural, mas também a aventura de descobrir o quanto e como um espetáculo teatral pode nos atingir em cada momento.


Já foi dito que viver é correr riscos. Conferir uma produção cultural disponível em São Paulo desconsiderando as estrelas nos guias jornalísticos de fim de semana ou as críticas nos cadernos de cultura é um jeito perigosamente interessante de vivenciar a agenda artística da maior cidade do país e quarta maior do planeta.


Assim se deu no último sábado, 11 de setembro, com a peça "Criminal", em cartaz no auditório do Sesc Pinheiros até 2 de outubro. Tudo o que eu tinha em mãos era o ingresso, o nome do espetáculo e pequenos fragmentos da sinopse lida semanas antes.


Consegui saber, ou melhor, ter alguma idéia sobre o que me aguardava, apenas cerca de 15 minutos antes do início de "Criminal", após a rápida leitura do resumido programa da peça. Um folheto simples, mas de bom gosto estético e com informações na medida exata do que o público deveria saber antes de embarcar no texto do autor e diretor argentino Javier Daulte transformado em aventura cênica dirigida por Pedro Granato. 


Com duração de 40 minutos e trilha sonora assinada pela talentosa Natalia Mallo, é interessante perceber que a primasia da concisão permeia todo projeto, iniciando já na concepção de seu "folheto informativo"; na falta de melhor sinônimo para "programa da peça"... Importante avisar para o leitor comum que jornalistas sofrem de "síndrome de sinonímia crônica"...


Voltando ao que interessa, "Criminal" trabalha com espelhos, nos sentidos simbólico e literal do termo, para contar com humor inteligente e timing certeiro a história de um assassinato que envolve um casal em crise e dois psicanalistas, personagens interpretados por Gabriela Caraffa e Diego Torraca, Eduardo Semerjian e Ernani Sanchez, respectivamente.


A criatividade cenográfica desperta a atenção do público mesmo antes do início do espetáculo. Um mesmo espaço, serve para a representação de quatro ambientes demarcados apenas pela iluminação e por dois espelhos translúcidos dispostos em "V" no centro do palco que, conforme a incidência de luz, nos transportam entre dois consultórios e os cômodos da residência do casal em crise em criativa estrutura de idas e voltas.


Num interessante processo de cenas curtas de corte seco, somos deslocados ao consultório do analista da esposa descompensada emocionalmente, localizado no canto esquerdo do palco. No momento seguinte, somos levados à sala de atendimento do terapeuta do marido, ao direcionarmos o olhar para o lado direito do palco.


Habilmente utilizados pelo diretor, a edição de cenas com uso da iluminação permite à platéia outra experiência, além das trocas de ambientes: saltos temporais no fluxo da história. Assim, a clínica na qual o marido realiza suas consultas também é o local onde o outro psicanalista vai encontrar o colega de profissão na tentativa de evitar um possível assassinato. Ao mesmo tempo,  acompanhamos a memória das sessões mais recentes realizadas nos mesmos espaços cênicos, tanto com o marido angustiado, quanto com a esposa desnorteada.


Desnecessário a peça começar com um dos terapeutas entrando no palco pela platéia. Também desnecessária certa entonação - caricata?- das vozes dos dois atores que interpretam os profissionais da psicanálise nas cenas iniciais, como se não confiassem na verdade e na potência dramatúrgica de suas falas, todas com ótima estrutura cômica. Para o bem de todos, conforme a inevitável boa receptividade do público, Eduardo Semerjian e Ernani Sanchez adquirem confiança durante a apresentação e terminam a peça com suas vozes mais firmes do que nunca, não deixando dúvidas sobre o talento de ambos.


Inteligente sem ser "cabeça". Bem feita sem ser pretensiosa. É por meio destas qualidades que "Criminal", apresentada anteriormente em Buenos Aires, Nova York, Montevidéu e Madri, integra a lista daqueles exemplos de que entretenimento e arte não são formas excludentes.


Criminal
Texto: Javier Daulte
Direção: Pedro Granato
Elenco: Eduardo Semerjian, Gabriela Caraffa, Diego Torraca e Ernani Sanchez
Trilha sonora: Natalia Mallo


Sesc Pinheiros
Auditório - 3o andar
R. Paes Leme, 195 - Pinheiros - SP/SP
Tel.: (11) 3095-9400
Sextas e sábados - 21h30
70 minutos
R$ 20 (inteira)
Até 2 de outubro

sábado, 11 de setembro de 2010

Salvem o Parque Estadual do Jaraguá e seu bairro centenário!




                       Foto deste post: Reprodução

Caros,

Confiram um exemplo de como a comunidade pode atuar para que o poder público melhore as condições do Parque do Jaraguá.

O mesmo vale para este bairro centenário e a preservação de sua histórica estação de trem, cuja cobertura metálica feita pela CPTM destoa completamente do projeto inglês original, embora a estação tenha sido tombada pelo Patrimônio Histórico.

A inciativa está acontecendo em relação ao parque da Água Branca, que assim como o Parque do Jaraguá, é administrado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente:

Abrax!
Emerson

"Dueto Para Um": um belo espetáculo para todos


*Foto deste post: Reprodução/Divulgação

Quando comecei a me inteirar do mundo do teatro, meu amigo José Cetra resumiu em poucas palavras a primeira aula que deveria receber qualquer um que vá ao teatro, ao cinema ou mesmo que leia um livro: "o que vemos no palco, na tela ou lemos nas páginas de um livro não é a vida real. Até porque o cotidiano da vida real, quando posto em cena, no meu ponto de vista, torna-se chato". Obviamente, ficção e realidade são dois campos distintos, mas cuja troca entre ambos é constante. Além disso, a verossimilhança é recurso necessário ao fazer artístico e não há ineditismo nesta frase.


Isto posto, médicos sabem que o cotidiano da profissão pouco tem a ver com as peripécias intelectuais do doutor Gregory House, assim como jornalistas sabem que os fechamentos diários de cada edição de jornal são bem menos excitantes do que a vida de Bob Woodward e Carl Bernstein, a dupla responsável pela série de reportagens que desemboracam no escândalo de Watergate e na renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon.


A despeito do escrito acima, alguns trabalhos artísticos chegam a tal rebuscamento que beiram um espelho quase que límpido da realidade. É o caso da peça "Dueto Para Um", em cartaz até 1o de outubro no Sesc Consolação, em São Paulo. A direção certeira de Mika Lins sobre texto do inglês Tom Kempinski trata da experiência das seis sessões iniciais de psicoterapia das quais participou a violocenlista Jacqueline Du Pré, mulher do maestro e pianista Daniel Barenboim, ao ser diagnosticada como portadora de esclerose múltipla. Terapeuta e paciente são interpretados por Bel Kowarick e Marcos Suchara, respectivamente, em atuações nas quais o público não precisa de muitos esforços para perceber a entrega total da dupla aos personagens.


Com música original de Marcelo Pellegrini, o trabalho conta com cenografia mínima e a boa idéia do palco giratório. Embora a velocidade da rotação do "tablado" devesse ser mais equilibrada durante as cenas, para que seu interessante efeito pudesse ser percebido plenamente. Neste contexto, também sentimos falta de um trabalho de iluminação mais consistente, marcando o início ou término de cada sessão de terapia, apenas para exemplificar.


O preto e branco que predominam tanto no cenário quanto no figurino que prima pela correção dão o tom correto para os diálogos que vão das profundezas da ironia, do sarcasmo e da maldade humana que fazem da fala uma faca afiada à candura, bondade e doçura que transformam esta mesma fala, de faca que machuca em arma que protege, preserva a vida e faz com que não nos sintamos sós no mundo.


Qualquer um que já tenha passado pelo sofá ou divã de uma sessão de terapia sabe que, se no encontro anterior com o terapêuta, o consultório e a conversa causaram a sensação da proteção do ventre materno, nada garante que a consulta seguinte não seja uma viagem ao quinto subsolo do inferno.


Neste sentido, a violoncelista caiderante de Bel Kowarick de rodas, e o terapêuta de Marcos Suchara fazem da platéia voyeurs priviliegiados que podem, da segurança de seus assentos, acompanhar uma representação muito verossímil do que são as sessões reais de terapia. 


E, tão interessante e importante quanto, o belo trabalho destes atores é capaz de, ao mesmo tempo, demarcar os limites entre realidade e dramaturgia necessários para que a peça surgisse como teatro daquele dos bons e não como mera e falsa terapia em grupo.


"Dueto Para Um"
Texto: Tom Kempinski
Direção: Mika Lins
Elenco: Bel Kowarick e Marcos Suchara
90 minutos
Sesc Consolação
Espaço Beta - 60 lugares
Rua Dr. Vila Nova, 245 - Centro - SP-SP
R$ 10,00 (inteira)
Tel: 11-3234-3000
Quintas e Sextas - 21h
Até 1o de outubro